quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Titanium - David Guetta feat. Sia


File:Titaniumsong.jpgDavid Guetta tem a grande habilidade de produzir singles genéricos de sucesso em larga escala. Variando pouco no conceito de suas produções, ele geralmente aposta no eletropop certo –um estilo que ajudou a popularizar - e não é diferente neste novo trabalho, a faixa ‘Titanium’.
Quarto single do disco ‘Nothing But The Beat’, ‘Titanium’ faz jus ao título do disco na qual está inserida ao oferecer um refrão cujos sintetizadores se revelam lentamente, desaguando no tradicional bate-estaca que fará sucesso nas casas noturnas.
A letra da canção, por sua vez, trata sobre auto-afirmação, um assunto já abordado por todos os artistas do cast da Disney. Mas afinal de contas, quem espera letras poéticas de uma gravação de David Guetta?
O grande destaque da canção fica, contudo, por conta de Sia. Desconhecida do grande público apesar de já ter algumas parcerias em seu currículo, a cantora – uma das melhores expoentes do pop australiano –  traz um sabor especial à gravação pelo timbre de sua voz e espanta por dar conta das notas altíssimas do refrão.
É claro que junto com os vocais de Sia está todo o resto: Os sintetizadores secos, o fade na ponte e tudo mais. Para nos lembrar que esta é apenas mais uma canção de David Guetta como todas as outras. Mas mesmo sendo apenas mais um exemplar de eletropop , ‘Titanium’ é eficiente no que se propõe a fazer e para Guetta, isso é o bastante.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

What Doesn't Kill You (Stronger) - Kelly Clarkson


‘What Doesn’t Kill You (Stronger)’ é o segundo single de ‘Stronger’, o mais recente álbum de Kelly Clarkson. Uma escolha muito mais acertada do que seu antecessor, ‘Mr. KNow It All’, a faixa reafirma a habilidade de Clarkson em fazer faixas uptempo com vocais fortes e um refrão pegajoso e fácil de cantar.
Porém, se ‘Stronger’ consegue ser um eletropop satisfatório, falha em ser qualquer coisa além disso. A canção bebe da mesma letra pedestre de ‘Mr. KNow It All’ e a produção, também como na faixa anterior, soa genérica e sem a menor preocupação em investir ao som alguma marca mais pessoal, algo que ela conseguira com algum sucesso em singles como 'Since You Been Gone' ou 'My Life Would Suck Without You'.

É claro que com todos os seus problemas, ‘Stronger’ ainda é um single muito superior à fraquíssima ‘Mr. Know It All’, mas, neste caso, isso não significa grande coisa. Quando parar para pensar nas músicas que mais gostou este ano, você nem vai se lembrar que elas existiram...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Video Games - Lana Del Rey


Lana Del Rey é uma desconhecida que ganhou notoriedade não por sua música, mas pela enorme quantidade de cirurgias que supostamente teria feito.  Reversamente, seu primeiro single, a ótima ‘Video Games’ é um excelente exemplo de sensatez e delicadeza, ao contrário do que se possa esperar de uma celebridade advinda da internet.
Emulando a atmosfera nostálgica de produções como ‘Bang Bang’, de Nancy Sinatra, a faixa conta – graças à brilhante e delicada produção - com a utilização de diversos elementos acústicos como harpa e violino, que ajudam a construir uma atmosfera sufocante e nostálgica.
Porém, o grande destaque da faixa fica por conta do trabalho vocal de Lana, que acerta ao investir em uma nuance baixa e embargada de sua voz para transmitir toda a emotividade que a canção exige e criar uma atmosfera que em diversos momentos beira o emotivo. Hábil ao manipular sua voz, Lana parece bastante consciente de suas limitações como cantora e de como dar à letra – igualmente melancólica – seu melhor tempero. E se uma boa performance não é o segredo para o sucesso de nenhum cantor – e diversos nomes na cena musical provam isso – habilidade vocal apoiada por produções bem cuidadas nunca fizeram mal a ninguém.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Black Treacle - Arctic Monkeys


File:Suckitandsee.jpgO Arctic Monkeys há muito não é mais a banda que outrora lançara ‘Fluorescent Adolescents”. Com o passar dos anos, a banda refinou de forma natural seu trabalho sem, com isso, buscar um rebuscamento consciente de sua música.
‘Black Treacle’, quarto single do disco ‘Suck It And See’ certamente tenta resgatar um pouco da sonoridade perdida de início de carreira, apostando em um som mais bem humorado do que as faixas do sombrio ‘Hambug’.
Com letra despojada, inventiva e rica em imagética, como é característico da banda, a canção se beneficia dos vocais sempre contidos e eficientes de seu vocalista e da simplicidade de sua produção, que embora funcione, parece apontar um certo medo dos Monkeys de se levar a sério demais.
Assim, apesar de bom, o riff que dá o tom da canção se perde lá pelas tantas e o trabalho de cordas, embora correto, deixa a desejar perder a oportunidae de deixar o refrão ainda mais suculento e rico. É esta de esmero na produção e no arranjo que faz com que a faixa pareça não atingir de forma completa todo seu potencial, deixando uma sensação de que há mais o que se esperar. Porém, ‘Black Teacle’ é mesmo uma boa canção e ainda assim o resultado final é satisfatório.
Apostando no simplismo não por incompetência, mas como recurso estilístico, ‘Back Treacle’  em momentos lembra singles do começo da careira dos Beatles, antes do Fab Four elevar o nível de suas produções tanto do ponto de vista sonoro quanto literário e exatamente por ver até onde os quatro rapazes de Liverpool chegaram, é de se estranhar que a simplicidade seja não um reflexo honesto da capacidade da banda, mas apenas uma escolha.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Marry The Night - Lady Gaga


MarryTheNight-SinglerCover.jpgDepois de surgir como um dos nomes pop mais interessantes dos últimos anos, Lady Gaga deixou de lado as produções dançantes descompromissadas  que a levaram ao estrelato para apostar nas minorias como fontes de sucesso. Em Marry The Night, quinto single de seu disco ‘Born This Way’, ela volta a apostar no formato sem, contudo, obter os mesmos resultados de singles como ‘Poker Face’ ou ‘Bad Romance’.
Na faixa, Lady Gaga entrega uma excelente performance vocal, apostando em uma nuance mais grave e anasalada de sua voz, como já fizera anteriormente em singles como Bad Romance. Além disso, é inegável que a produção tem um bom apelo para as casas noturnas, o que certamente é uma preocupação da cantora.
Um eurodance com repleto de guitarras sintetizadas que lembra produções dos anos 80, ‘Marry The Night’ começa bem principalmente graças à simpática sonoridade oitentista e à escolha dos sintetizadores usados mas, desanda pouco antes de alcançar dois minutos e se transforma num deja vù barulhento e desagradável, prejudicada pelas curvas e quebras de ritmo que atrapalham seu andamento e uma ponte pra lá de dispensável.
A capacidade comercial da canção, assim como a da fraca ‘Judas’, é discutível, mas quanto a uma coisa, não há discussão: a relevância da Lady Gaga, assim como sua capacidade de produzir hits, certamente diminui a cada novo visual exuberante ou single mal escolhido, como é o caso de 'Marry The Night'.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Menina Estranha - Restart


Há alguns meses o Restart anunciou que seu segundo trabalho traria uma sonoridade mais madura e uma guinada para a imagem infantilizada criada especialmente por seu figurino colorido.
Pois o primeiro single desta nova fase é ‘Menina Estranha’. Alertas para o sucesso do sertanejo universitário, os membros da banda parecem ter se inspirado na estrutura e arranjo simples de pérolas como o enjoativo hit de Michel Teló para criar uma faixa que em nada difere das produções anteriores.
A canção se desenrola sobre um arranjo que é, a bem da verdade, menos desagradável que a maioria dos hits que já produziu em sua curta carreira. Isto, porém, não significa que o resultado seja um primor. Os vocais de PE Lanza e Pelu surgem fracos e desengonçados como sempre e a letra dispensa comentários.
Ao ouvir ‘Menina Estranha’, só fica uma dúvida: se ao falar que traria uma sonoridade mais adulta o Restart estava na verdade querendo apenas trollar o público ou se os membros da banda realmente acreditam que tenham dado um grande passo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

We Found Love - Rihanna feat. Calvin Harris


Rihanna é uma artista que não joga para perder. Sem medo de que o público se canse de sua imagem, nos últimos anos ela tem insistido em lançar single atrás de single, quase sempre conseguindo um resultado bastante satisfatório com o público. O segredo de tanto sucesso é uma cabeleira em constante transformação e uma sonoridade que nada mais se trata do que uma constante simbiose com os produtores do momento.
Assim, não é de se espantar que ‘We Found Love’ traga muitas das características que tornaram os últimos singles da cantora de Barbados hits: um refrão forte, produção genérica e muito dance.
Com letra vazia e produção apenas ok para o geralmente competente Calvin Harris, a canção se limita a repetir chavões mais do que batidos no eletrodance atual, mas que, aliados do excelente refrão, a ajudarão a escalar as paradas musicais com facilidade.
Praticamente desprovida de graves, a canção tem estrutura cafoninha e pontes que se entregam a riffs sintetizados demasiadamente longos, se estendendo numa progressão de notas escancaradamente voltada para as pistas de danças. Além disso, ao longo de toda a produção ouvimos  sintetizadores bem pronunciados, provavelmente para justificar a presença do nome de Harris nos créditos da canção. E se Harris cuida da produção, Rihanna, seu contraponto, entrega uma performance vocal bastante satisfatória, embora mais autotunada do que o apropriado.
Que ‘We Found Love’ será mais um sucesso adicionado à já extensa lista de Rihanna, não resta dúvida. O que resta, porém, é saber se ela, ‘Only Girl (In The World)’ e todos os outros singles descartáveis laçados por Rihanna recentemente serão lembrados por alguém daqui a cinco anos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Love On Top - Beyoncé


Durante o VMA, Beyoncé aproveitou para anunciar ao mundo seu herdeiro e para apresentar uma nova canção, ‘Love On Top’, que acabaria sendo tão bem sucedida que se tornaria o terceiro single de seu mal fadado disco ‘4’.
Deixando de lado as programações de sintetizador costumeiras de seus discos, Beyoncé investe em um arranjo que lembra canções do início dos anos 80 nesta faixa, que está cheia de elementos daquela época: acordes de guitarra sintetizados, estalar de dedos e arranjos de voz que mais lembram os grupos vocais da época, como o Jackson Five.
Os vocais, aliás, são um ponto forte da canção. Os  backing vocals floreiam as regiões mais baixas da canção por quase toda sua extensão, funcionando não para cobrir eventuais falhas da vocalista, como é comum, mas para de fato enriquecer a gravação. Além disso, livre de suas afetações usuais, Beyoncé não apenas apresenta uma interpretação mais simples para a canção, como consegue acompanhar sem dificuldade as homéricas subidas de tom da parte final da música. O final, aliás, é o único momento em que a canção desanda, subindo em direção a notas cada vez mais altas, mas nada que possa comprometer o bom arranjo.
Com conceito interessante e realização simplória, Love on Top, é uma uptempo doce que prova mais uma vez que Beyoncé se sai muito melhor quando investe na simplicidade do que quando tenta fazer feitos incríveis, como domesticar o Major Lazer.