sábado, 15 de janeiro de 2011

Fuck You - Cee Lo Green




Não fiz (nem pretendo fazer) um top com as melhores músicas de 2010, até porque não sou um grande consumidor de música atual (nem entendo o bastante para fazer uma lista dessa). Para compensar, farei dois posts sobre duas excelentes gravações do ano passado. A primeira é de Cee Lo Green, a voz do Gnarls Barkley,  e se chama 'Fuck You'. Com letra jocosa, a canção traz a sonoridade típica dos anos 70 e da poderosa Motown numa estrutura contagiante e simpática.
Além de ser uma gravação de primeira, a canção (re-batizada como ‘Forget You’ em sua radio Edit) é essencialmente simpática: a levada soul, o arranjo antiquado dos backing vocals, as harmonias vocais que permeiam toda a música e os vocais cheios e descontraídos de Cee Lo.
É pop, é fácil de consumir e é de qualidade. Quer mais o que?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hold It Against Me - Britney Spears

Há alguns posts atrás, falei de como B.E.P investia em um som mais voltado para as boates e que fugia um pouco do eletro convencional. Pois então, Britney Spears, de volta com Hold It Against Me, pega um pouco de cada para criar uma canção ultra comercial e, com ela, tomar as paradas de todo o mundo.
Hold It Against Me é um eletrodance pronto para as boates de todo o mundo. Com letra e produção pedestres, a canção alterna entre linhas sintetizadas mais leves e outras mais secas e consistentes (que lembram o trabalho de Fatboy Slim, Benny Benassi ou, para ser mais atual, algumas canções do B.E.P). O problema é que a transição entre essas camadas é irregular, dando a impressão de que a faixa não foi finalizada como deveria. Além disso, os vocais de Britney aparecem soterrados pelos backing vocals  e ainda falta um refrão marcado à faixa.
Se a canção não tem absolutamente nada de especial, uma coisa é certa: Britney está de volta fazendo o que sabe de melhor: seguindo as tendências para criar música comercial absolutamente descartável, sem nenhum tipo de inovação e que, com seu nome, pode se dar muito bem nas paradas.

What Am I To You?




Existem momentos na vida em que você simplesmente não sabe o que fazer. Ou sabe, mas não sabe se é o que esperam que você faça. Nestes momentos, em que você se torna vulnerável por não estar jogando um jogo e expor seus reais sentimentos sem de fato saber se o outro está te “testando” ou simplesmente negligenciando, duas músicas podem ser suas companheiras:

I Want You - Em um dos momentos mais sérios de sua carreira, Madonna mostra a dor de alguém que quer receber o mesmo tratamento que dá, reclamando clareza e sinceridade. Apoiada pela excelente produção do duo Massive Attack, que cria uma malha sonora coesa e extremamente melancólica, Madonna canta com voz embargada e sem o apoio de backing vocals, em uma das performances mais honestas de sua carreira.

What Am I To You - De forma bem mais doce, Norah Jones vai bem além de simplesmente reclamar uma posição de seu amado. Ela reafirma de forma apaixonada e vulnerável seus sentimentos, abrindo o caminho para a solução ou, quem sabe, ainda mais sofrimento.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Um rei nunca perde a magestade

Se estivesse vivo, hoje Elvis Presley completaria 76 anos. Ele já morreu há mais de 30 e ainda assim, mas Elvis parece mais vivo do que nunca no inconsciente coletivo.
Além de ser atribuída a ele a criação do rockabilly, Elvis foi o principal expoente do Rock n’ Roll clássico. Seu legado para a música e o mercado fonográfico é imensurável. Embora alguns digam que o primeiro single rock foi gravado por ele, é verdade que naquela época outros artistas – todos negros –  já vendiam rock n’ roll, como Bill Haley & His Comets. No geral, eram grupos de artistas negrtos que se apresetavam usando ternos engomadinhos e cortes de cabelo tradicionais. Dá pra acreditar?
Elvis modificou tudo isso. Ele surgiu com suas roupas justas e nada convencionais em performances cheias de sensualidade e ousadia. É claro que muitos o classificaram como imoral, mas a mistura do bom moço branco, voz negra e sensualidade agradou a uma legião ensandecida de garotas que logo se tornaram as primeiras grouppies da história. Gozando de uma popularidade nunca antes vista por um artista, Elvis foi o primeiro a vender um milhão de singles nos Estados Unidos e logo se tornaria também o primeiro artista a fazer o crossover entre música e cinema. Ele ainda foi o grande responsável por popularizar o rock n’ roll entre o grande público.
Mesmo depois de mais de 30 anos de sua morte, Elvis e seu records ainda são relevantes (quem mais conseguiria vender mais de um bilhão de discos?), afinal de contas, um rei nunca perde a magestade.
E vamos combinar que, depois de Elvis, fazer música ficou fácil.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

What The Hell - Avril Lavigne


Embora seus fãs insistam em dizer que seu som é punk rock, a verdade é que o som de Avril Lavigne se assemelha muito mais ao pop rock genérico das estrelas teen da MTV. E seu novo single What The Hell não foge a esta regra.
Como a maioria das músicas de Avril, WTH é essencialmente uma faixa ruim. O arranjo é previsível e encharcado com uma programação de sintetizador terrível, além dos vocais sempre suspeitos da canadense.
Porém, a canção tem dois pontos positivos: Embora não traga nenhum novo elemento para sua música, a faixa é coerente com o trabalho feito por Avril até agora, e, o mais importante, tem refrão grudento e pronto paras rádios.
Ciente de que precisa fidelizar uma nova geração de adolescentes se quiser continuar vendendo pop teen, Avril parece cada vez menos preocupada em ser uma roqueira poser e mais preocupada em colocar uma canção no topo da Billboard. E esta, afinal de contas, é uma preocupação legítima.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Dog Days Are Over


Conheci a Florence + The Machine dia desses por um acaso cibernético e fiquei muito surpreso. Dog Days Are Over, minha favorita deles, é um exercício de folk music em seu melhor momento.
A produção é minuciosa e detalhista (há harpas, piano, guitarra e tudo mais) e, ainda assim, a faixa não fica sobrecarregada com instrumentos. A canção é construída sobre uma gradação, com instrumentação e vocais mais pronunciados a cada segundo, tudo acompanhado pelas harmonias vocais ousadas de Florence.
Aliás, é apropriado dizer que o ponto alto da gravação está nos vocais de Florence. Interpretando a música de forma livre e energética, a vocalista exercita sua larga amplitude vocal nesta canção sem nenhum constrangimento, mostrando versatilidade e entregando o mesmo verso cada vez de uma forma diferente, tornando a música um passatempo agradável e interessante até o último segundo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Stormy Weather


Há aquelas canções tão incrivelmente perfeitas que você às vezes até gostaria que tivessem a ver com sua vida só para que você pudesse apreciá-las melhor.
Eventualmente, você pode conseguir este feito, mas se a canção em questão for Stormy Weather, você se arrependerá amargamente de um dia ter desejado tal coisa.
Interpretada por uma miríade de nomes do jazz e do soul, desde Frank Sinatra até Bilie Holiday, Stormy Weather é uma canção de amor sofrida que conta com uma harmonia deliciosa.
A versão de Etta James, de 1971, é uma das minhas personal favorites exatamente por, a meu ver, conseguir compreender de forma sensível a música. Sem deixar sua gigantesca habilidade vocal de lado, Etta opta por uma entrega mais contida, e aposta em um registro mais granulado de sua voz, deixando de lado as inadequações de performances como as de Ella Fitzgerald, ou Ringo Starr.
Afinal, nossa protagonista está sofrendo. Sofrendo de desespero, de dor, de tristeza, de abandono.
Seriously, a performance de Etta é boa o bastante. Não precisa sentir na pele.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Top 5: Fossa


Quem nunca chorou ouvindo uma música que atire a primeira pedra. Quem nunca identificou a própria dor em uma canção, que atire as seguintes. Organizei um pequeno top com algumas canções indispensáveis quando você acaba de ser screwed up por alguém no fim de uma relação

Mon Amour – Shakira faz um desabafo cheio de ódio, despeito e sadismo nesta música que emana de girl Power. E quem nunca desejou o pior ao ex? Melhor verso: “I really hope you have a horrible vacation/ Hope the french fleas eat you both alive/ And your room smells/ And the toilet doesn't flush”
Linger – Não sou um grande conhecedor dos The Cranberries, mas além do arranjo confortável e da voz ao mesmo tempo suave e potente da vocalista, ‘Linger’ é repleta de dor e indignação. Melhor verso: "If you, if you could get by/ Trying not to lie/ Things wouldn't be so confused/ And I wouldn't feel so used"
Piece of My Heart -  A interpretação comovente  e o timbre de voz de Janis Joplin por si só já são carregados de dor. Alie a isso um riff de guitarra rascante e uma letra cheia de uma nostalgia agressiva e o resultado é uma das canções mais tristes da história que não pode faltar no iPod de quem acabou de sofrer uma decepção amorosa. Melhor verso: "And each time I tell myself that I, well I think I've had enough/ But I'm gonna show you, baby, that a woman can be tough"
I Just Don’t Know What To o With Myself – Seja na voz afinadíssima de Dusty Springfield ou com as guitarras mortais de Jack White, esta canção não trata do término em si, mas do que fica, dos restos de uma relação e de como os ex-amantes lidam com a readaptação. Melhor verso: “planning everything for two/ doing everything with you/ and now that we're through/ I just don't know what to do”
Resentment – A canção definitiva para aqueles que foram traídos, este B-side tem os excessos vocais costumeiros de Beyoncé, mas ao menos deixa as programações de sintetizador de lado para fazer um desabafo constrangedoramente sincero. Melhor verso: “I know she was attractive but I was here first/ Been ridin' with you for too long/ why did I deserve/ To be treated this way by you”